Investimento é essencial para criar um cavalo de destaque

De acordo com o jornal Zero Hora, Para se formar um animal de destaque, no mercado e nas pistas do Freio de Ouro, donos investem em melhoria genética, alimentação e preparo e apostam em bons ginetes para levar tudo isso ao pódio. E, posteriormente, valorizar o preço dos animais.

Há casos como o registrado no leilão da paranaense Cabanha São Rafael, de Balsa Nova, no início do ano, em que esse trabalho rende milhões de reais. Em 2013, o cavalo JLS Hermoso, de propriedade da Cabanha Maior, de Santa Catarina, foi valorizado em R$ 11,25 milhões, a maior quantia da história da raça, pela venda de três cotas para cinco coberturas por ano por R$ 375 mil cada. O valor final leva em conta que cada animal pode fazer até 150 coberturas por ano. Finalista do Freio em 2007, JLS Hermoso é resultado de um investimento dos proprietários.

– O maior resultado não foi individual, mas como garanhão foi fora do normal. Pelo temperamento e movimento, produziu animais morfologicamente bons e muito competitivos funcionalmente – explica Lauro Martins, administrador da Cabanha Maior.
Cadejo da Maior, vencedor do Bocal de Ouro 2013, por exemplo, é filho de Hermoso, que tem a capacidade de produzir características valorizadas na raça, como lombo e pescoço compridos, cabeça triangular curta, potência muscular e equilíbrio.

UMA VIDA DE PREPARO

GENÉTICA
– O investimento em um cavalo começa antes do animal nascer. Produtores buscam boas matrizes e reprodutores ranqueados dentro do registro de mérito, dos melhores animais da raça, da Associação Brasileira de Criadores de Cavalos Crioulos (ABCCC). A avaliação é feita com pontuações que os animais atingem em competições ao longo da carreira – e os filhos também somam pontos para o pai.

MORFOLOGIA
– Do nascimento até por volta de dois anos, o cavalo é avaliado morfologicamente, ou seja, por suas características físicas. Nesse período, procura-se selecionar os animais com determinadas formas (compridos, com boa estrutura óssea, de frente leve, bastante crina, por exemplo).

DOMA
– Começa a partir dos dois anos e dura entre seis e oito meses. É quando ocorre o primeiro contato de submissão do animal ao ser humano. O cavalo é preparado para obedecer aos primeiros comandos, inicialmente do bocal (instrumento de couro usado na boca do animal), e posteriormente, do freio.

TREINAMENTO
– Entre três e quatro anos, o animal escolhido começa a receber treinamento para as competições. A preparação pode ser feita na própria cabanha ou em centros especializados, que é o mais comum. O processo costuma levar entre um e dois anos. Nesse período, é dada atenção especial à questão física do animal. O custo é estimado em R$ 30 mil por ano, dividido em centro de treinamento, alimentação e outros gastos.

– Centro de treinamento: representa 70% do custo. No local, o animal recebe cuidados do médico veterinário, e ginetes profissionais ensinam ao cavalo, de forma lenta e gradual, os movimentos para a competição, como giros e esbarradas.

– Alimentação: consome cerca de 15% do orçamento. Depois de uma dieta rica em proteína, usual até a fase da doma, o cavalo em treinamento precisa de uma dieta baseada em energia, normalmente com uso de aveia e alfafa.

– Demais gastos: os outros 15% são gastos em medicação, transporte e inscrição para competições da raça e ferreiro.

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