ABCCC reforça exigências de bem estar animal em regulamentos

Conceito amplamente difundido na atualidade, o bem estar animal deixou de ser apenas uma opção. No que se refere aos cavalos, em qualquer atividade a qual esses animais sejam submetidos, a atenção à sua boa disposição, satisfação, conforto e segurança é indispensável. Nas pistas, a preocupação com as condições dos animais envolvidos motivou uma ação inédita que pode ser o primeiro passo para o estabelecimento de legislação específica para provas equestres.
A Associação Brasileira de Criadores de Cavalos Crioulos (ABCCC) aprovou em sua reunião anual de avaliação determinações que alteram os regulamentos de suas provas seletivas e desportivas, visando contemplar as práticas de bem-estar animal. Essas decisões vão ao encontro do que já é adotado por outras entidades de raça e associações ligadas ao meio equestre.
Muitas delas já eram previstas nos regulamentos que apontam, entre as suas exigências, a necessidade de exame antidoping nos melhores pontuados em suas principais seletivas. A partir de agora, no entanto, essas determinações ficam ainda mais rígidas. As novas determinações entram em vigor a partir da Expointer e valem para a temporada 2016.
Existe inclusive um esforço conjunto empreendido por essas entidades com a intenção de criar um documento de bem-estar animal em competições, apoiado pelo senador Ronaldo Caiado (DEM-GO), que será transformado em projeto de lei. O objetivo é estabelecer um amparo jurídico para o tema, já que atualmente não existe respaldo legal para essas situações.
Para o superintendente do Registro Genealógico da ABCCC, Rodrigo Teixeira, a associação está evoluindo nesse sentido justamente para proteger a raça e a sua seleção. “Considero que as decisões aprovadas estão entre as mais importantes que já tomamos nas últimas décadas em relação aos regulamentos, visando a longevidade das nossas provas de seleção e esporte”, diz.
Teixeira salienta ainda que a ABCCC participou da criação de um manual de Práticas de Bem-Estar Animal em Competições promovido pela Câmara Setorial de Equideocultura do Ministério da Agricultura e que, além da adequação nos regulamentos, ainda irá promover ações como aplicar placas com dicas de bem-estar nas cocheiras e disponibilizar fiscais em seus eventos.
Novas determinações
– A partir do ciclo 2016, será proibida a continuidade da participação do conjunto caso seja constatado pelos Jurados ou pelo Inspetor Técnico responsável, qualquer tipo de sangramento no cavalo, mesmo o que não seja causado pela ação direta do ginete, implicando em sua desclassificação da prova, em qualquer modalidade;
– Os animais que atestarem positivo no exame antidoping, ficarão impedidos de participar de quaisquer das modalidades desenvolvidas pela ABCCC durante o ciclo em que o fato ocorrer. Para o caso de atestarem positivo durante as provas finais da modalidade, a punição se estenderá até transcorrer a próxima final;
– Animais que forem retirados das provas mediante apresentação de atestado médico veterinário ficam proibidos de participar de qualquer modalidade funcional durante 30 dias, a contar da data do término do evento em questão;
– Todos os participantes da final do Freio de Ouro 2015 e das classificatórias do próximo ciclo da modalidade terão que indicar, no ato de sua inscrição, um responsável pelo animal com o seu respectivo contato;
– A partir do ciclo 2016, os animais premiados nas Exposições Morfológicas Passaporte também serão submetidos a coleta para realização de exame antidoping.
Texto: AgroEffective
Foto: Felipe Ulbrich/ABCCC/Divulgação

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